Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013
PORQUE ESTOU AQUI?

 

Estimular todos aqueles que se encontram desesperados é como um poema de amor. O sentido de incentivar pode surgir de uma maneira tímida ou exuberante mas ele irrompe sempre vindo de corações sinceros virados à magia da esperança. Desejo que as minhas palavras se estendam para todos vós como braços de mãos abertas para vos encorajar a prosseguir. Que este livro seja compreendido como um acto de amor, compreensão e generosidade.

 

(…)

 

Anjo para sempre, asas libertas, deixei-te desprender, voar

 

Liberta a tua mãe de tanto pranto

 

Tenho de sorrir, sinto o teu manto cobrir-me quente e diáfano

 

Como o sol e a lua fecundando o espaço

 

Fazendo-me acreditar que ainda existes.

 

Afastem-se nuvens negras, mares revoltos, terra seca

 

O meu filho é mais do que tudo o que se vislumbra

 

É muito mais do que isso.

 

Viveu, sofreu, amou e muito deu a quem o sentiu como eu

 

Sempre e para todo o sempre assim tão perto

 

Olhem no azul lá longe, aquele pássaro rompendo horizontes

 

É ele que se afasta e escreve em tanta luz o seu caminho

 

Alegria meu amor, muita alegria por tudo o que foste e que nos deste.


 

            Escrevi com o meu coração de mãe, interessada em auxiliar a transformar, mesmo devagarinho, a mágoa em saudade terna e suave, desejar que a esperança de aprender um novo futuro desate o nó da dor para, por fim, encontrarem uma boa harmonia interior.

 

      Sejam positivos dando muita atenção uns aos outros. Quer seja no seio da família, no trabalho e mesmo nos momentos de lazer não desistam da partilha. Não se mortifiquem procurando a solidão. Usem bem o vosso tempo e, peço-vos, não se isolem.

 

      Tenham dentro de vós a vontade de conciliação. Desejem que tudo porque passaram se transforme, paulatinamente, em coragem de prosseguir acreditando e aceitando novos desafios. Passarão assim a serem mais fortes, mais lúcidos para enfrentarem a vida, com uma filosofia que vos espantará.

 

      Todo o tempo é tempo de recomeçar. Tirem partido das coisas boas e das más que vos aconteceram. Parar nunca! O tempo é breve, não perdoa aos indecisos, aos que não se querem escutar. Compara a tua vida sempre com a dos mais infelizes e aprenderás a ser mais condescendente com a tua própria vida.

 

      Desperta e medita. Tenta estar consciente do momento presente. Vai-te ajudar a unir os elos da tua história. Recorda quem és, de onde vens, para onde vais e para onde queres, verdadeiramente, ir. Mesmo que não encontres respostas definitivas, para muitas das grandes questões da tua vida, não desistas. Não percas as tuas interrogações, para não te perderes pelo caminho.


 

Interrogações

 

Cada um de nós é um mundo, mas, não nos conhecemos

 

Nós que procuramos a sabedoria a cada instante

 

Cada momento nosso compreende vida única, talvez sem fim

 

Cada segundo, um a um, contém o insondável mistério da existência Nascente de todas as nascentes!

 

 

 

Originalmente parece que tudo está bem, tal como é

 

No entanto, não somos nada, tal como somos.

 

A cada instante posso regressar

 

À minha alegria ou à minha tristeza

 

Basta um lugar, uma palavra, um chilrear de pássaros.

 

Insustentável realidade que me sufoca!

 

Mas não comando, nem ninguém, muitas coisas mais…

 

Serei eu, tudo o que está dentro de mim?

 

Ou serei só uma partícula do Universo

 

Ínfima e insignificante

 

Talvez, para além do que eu entendo, seja importante…

 

 

 

Constantemente o meu coração verdadeiro e confuso bate

 

Na ânsia de saber onde tu estás? O que sou? Para onde vou?

 

Compreender!

 

É esta a minha esperança, a minha luz

 

Nascente de todas as nascentes!



 

            Louva a vida, a natureza, o céu, o mar, tudo o que tens e, mesmo magoado pelas injustiças, não desistas. Estás vivo e essa vida tem um valor incalculável. Sorri.

 

        Eu abraço-me à esperança. Sou das que crêem e espero, apesar de tudo o que nos aconteceu, que o nosso deserto será um dia fértil. Fértil de amor, de resignação e de paz.

 

      Sou das que crêem que o sol um dia nascerá, deixando para trás a escuridão, para tornar a aquecer o vosso coração, e, por isso mesmo, desejo que acreditem que o amanhã será diferente, mais próximo da aceitação.

 

        Caminhem com determinação sabendo que, depois de sofrerem os momentos mais escuros da vossa vida, encontrarão uma certa mansidão e serenidade para enfrentar a vida que vos resta. Não será uma serenidade constante mas, eu tenho esperança, que essa luz, vos fará encontrar um caminho menos espinhoso.    

 

      Creio na vida e nos seus valores maiores que são a paz, a fraternidade, o amor e a justiça. Se os dias em que vivemos são difíceis temos a obrigação de amá-los ainda mais, temos que penetrá-los mais profundamente, até que tenhamos afastado todas as montanhas que escondem o sol da grande maioria dos pais que hoje choram os seus filhos.        É preciso ver, no que nos mata de tristeza, a oportunidade da esperança do dia seguinte. É preciso ver na negação de hoje a afirmação do amanhã. Semeemos pois a esperança do amanhã.

 

        Sou das que crêem e, por isso mesmo, creio no amanhã, pois é lá que se escondem agora os meus sonhos e os meus desejos mais intensos.

 

        Creio, como diz Sartre, “que o homem não é a soma do que ele tem, mas a totalidade do que ele ainda não tem e que ele ainda pode ter”.

 

        Creio que a vida não caminha para trás, mas procura teimosamente novos caminhos que a levem para a frente. Por isso, tem que haver um amanhã, que nos pressagie dias melhores em honra dos nossos ausentes.

 

        Sou das que crêem e, por isso mesmo, vejo na semente da esperança a árvore, a sua sombra e o seu fruto.

 

        Todos podemos passar pelo princípio e pelo fim do desespero. Com que ficamos depois? Ficaremos com a saudade, o amor e a compreensão. Essa comunhão valorizará a vida e fará criar as resistências à dor e à amargura. Nunca ficaremos curados mas nenhum pai ou mãe o deseja. É preciso saber viver com os vivos mas também com os ausentes que nunca deixaremos de amar.

 

        É necessário ir ao encontro de uma alegria muito especial, um sentimento quase puro, que nos fará encontrar a harmonia para vivermos com a razão e o amor no mesmo plano.

 

        Serão sempre estas as reflexões que vos poderei transmitir. Só vos desejo apoiar com carinho, convicta que poderei ajudar a adormecer a vossa dor. Sinceramente, faço-o com o mesmo empenho como quando embalo o meu neto, quando está doente, para o confortar. Estarei sempre convosco porque sofri, chorei, desesperei e muito amei também durante todos estes anos.

 

        Hoje vivo um caminho determinado e mais sereno onde, nas mais pequenas coisas, encontro a felicidade. É preciso não exigir demasiado à felicidade...temos de aprender com o tempo e com a vida a valorizarmo-nos como pais, que afinal não deixámos de o ser, e a quem os nossos filhos tanto amaram. Que as minhas palavras entrem nos vossos corações e vos ajudem, um pouco que seja, na desesperança que sentem.

 

        Deixem hoje, por um breve instante, o inverno do vosso desalento. Esse passo em frente seria também um conforto para mim.

 

        Desafiem o futuro analisando o sentido real da palavra amor, junto daqueles que partilham convosco espaços comuns. Para todos, os que sofrem, o meu abraço, o meu sincero desejo que gradualmente se reconciliem com o amanhã. Só assim podem fazer frente ao sofrimento e à solidão.


 

      “Meu filho, tu que me deste a alegria de te criar no meu ventre, dá-me coragem e sabedoria para continuar e aceitar com serenidade a tua perda. Não quero desistir da vida porque sinto e oiço o desespero dos outros meus iguais e, essa agudeza de espírito, faz-me compreender e enfrentar melhor o meu dia-a-dia. Quero acreditar no futuro porque tu, meu filho, me acompanhas e estou convicta que essa certeza me fará percorrer o melhor caminho. Tu és o meu orgulho, tu nasceste de mim e a tua vida não foi em vão. Obrigada por teres existido e pela tua companhia”.

 

      O tempo foi breve. Era ainda um bebé, uma criança, um adolescente, um pai ou mãe de família. Os nossos filhos foram os escolhidos. Pouca sorte? Fatalidade? Incúria? Destino? Não tenho respostas. Não pudemos salvá-los. Não tivemos ou não nos deram oportunidade. O mundo em que vivemos vai evoluindo…Tenhamos esperança no futuro, nos outros filhos que nascem a cada instante e que partilham, com todos nós, a vida. Que a mensagem que vos deixo seja uma luz que possa iluminar o vosso caminho.

 

        Os nossos filhos já não moram aqui.

 

 

 

                                                                           FIM


Estou aqui para poderem visitar o meu blog agora com o nome? 

 

lutoparental.blogs.sapo.pt


Contacto directo: aidacampos@sapo.pt


OBRIGADA


Aida Nuno



 



publicado por criar e ousar às 21:39
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